Como a história do Blues surgiu com o homem tocando violão com canivete + blue notes de W. C. Handy, Ma Rainey, Bessie Smith, BB King e mais

Imagine um homem tocando violão com um canivete: sabia que foi daí que surgiu a  história do Blues? Hoje, vamos deixar de lado a “tristeza” e a “melancolia” atribuídas à cor azul (blue), já que vamos contemplar a genialidade deste gênero musical.

Se você gosta das “blue notes”, vem com a gente conferir de onde veio essa história do Blues. Por sinal, aqui vai outro spoiler: as raízes do ritmo vêm dos “Spirtuals”, que são os cantos religiosos da África. Mas foi na América que essa música ganhou o mundo. 

E, para quem acha que esse mesmo mundo seria “vazio” sem o Blues, temos uma dica de ouro. No filme “Ma Rainey’s Black Bottom”, você conhece “A Voz Suprema do Blues”, com atuações de Viola Davis e Chadwick Boseman. Aliás, o filme mostra como os empresários brancos tentavam controlar a lendária cantora negra, bissexual e fora do padrão estético.  

7 curiosidades que envolvem a história do Blues

Finalmente, chegou a hora de conhecer a história do Blues, incluindo Spirituals, Vaudeville, Juke Joint e Folk Music. Se você ficou curioso, continue com a gente para descobrir.

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1. O que significa Blues?

Em primeiro lugar, vamos esclarecer “o que é Blues” e de onde veio o nome dado ao gênero musical. Em 1870, a palavra “Blues” (de azul) fazia alusão à “tristeza” e “melancolia” de escravos afro-americanos que trabalhavam em fazendas de algodão dos EUA.

Às margens do rio Mississipi, os escravos cantavam melodias “chorosas”, como um retrato de suas próprias vivências. E isso incluía: cânticos religiosos, canções de trabalho, danças ritualísticas e música folclórica.

2. Quem é considerado o fundador do Blues?

Descobrir quem criou o Blues é um desafio e tanto. Afinal, dizem que W. C. Handy ouviu essa música em 1903, ao observar um homem negro tocando violão com seu canivete. Sim, isso mesmo: tocando violão com o canivete! E, apesar do nome desconhecido deste solitário tocador de Blues, ele realmente inspirou uma revolução.  

Nesse embalo, o visionário W. C. Handy passou a ser visto como o “pai do Blues”, enquanto Ma Rainey é a “mãe do Blues”. Por sua vez, Bessie Smith é considerada “a imperatriz do Blues”. Enfim, são muitas lendas deste gênero envolvente, que foi popularizado por nomes como Charley Patton.

E, para saber mais sobre a história do Blues, vale assistir “The Blues – A musical journey”. Na série, os filmes vão de “Feel Like Going Home” (Martin Scorsese) até “Piano Blues” (Clint Eastwood).

3. Onde nasceu o Blues? E como surgiu?

Para saber onde surgiu o Blues, vamos ao Sul dos Estados Unidos, nas plantações de algodão. Lá na região entre Alabama, Geórgia, Louisiana e Mississippi, os negros americanos cantavam para embalar as duras jornadas de trabalho. Mas apesar do sofrimento, eles mantinham vivas as suas raízes africanas, incluindo os cantos religiosos.

4. Como aconteceu a história do Blues nos Estados Unidos?

Em geral, muitas pessoas se perguntam quem veio primeiro: o Jazz ou o Blues? Embora as linguagens musicais sejam entrelaçadas, há quem diga que um gênero influenciou o outro. Isso porque as histórias do Blues e do Jazz têm origem africana, por meio dos escravos afrodescendentes.

No caso do Blues, este gênero se popularizou no Sul dos EUA no início do século 20. Contudo, o termo “The Blues” ficou famoso após a Guerra Civil Americana, fazendo coro à referência ao “estado de espírito” do povo afro-americano.

Partindo das plantações localizadas às margens do rio Mississippi, o Blues foi ganhando espaço no país todo. Na década de 1930, por exemplo, surgiram nomes como Robert Johnson, que foi parar até mesmo na série Supernatural por um suposto pacto com o diabo.

E a história do Blues seguiu seu caminho com a migração do delta do Mississippi em direção à Chicago. Lá surgiram novas oportunidades, em especial para Muddy Waters, o pioneiro que “eletrificou” os instrumentos da banda. 

Além disso, a popularização da música contou com o tempero da cultura regional, incluindo:

  • Spirituals: são cânticos religiosos que eram característicos dos negros cristãos nos EUA. Nesse sentido, o estilo de canto ficou conhecido como negro espiritual.
  • Vaudeville: gênero de entretenimento pautado em variedades. Ou seja, a diversão envolvia: sala de concerto, circo de horror, literatura burlesca, canto popular etc.
  • Juke Joint: estabelecimentos informais de música. Com afro-americanos, danças, bebidas e jogos, esse era um ambiente favorável para o surgimento do Blues.
  • Ring shout: ritual religioso em que as pessoas se moviam em círculos para o louvor. Entretanto, o “grito” em si não era necessário para esse rito de origem africana.
  • Música folclórica: já a Folk Music é associada às canções tradicionais de um determinado povo. 

5. Quais as características do Blues? E os subgêneros?

As principais características do Blues são:

  • notas azuis: são notas cantadas (ou tocadas até com gaita) com um timbre “ligeiramente” mais baixo. Sendo assim, o tom fica mais melancólico com essas blue notes;
  • blues shuffles: faz referência à linha do baixo, com efeitos repetitivos. Nesse ponto, tais efeitos são conhecidos como “Groove”, devido à mudança de padrão do ritmo;
  • 12 compassos: essa progressão harmônica tem uma forma bem distintiva. Logo, isso vai desde as letras e frases até as estruturas de acorde e duração.

Em paralelo, alguns estilos e subgêneros do Blues são:

6. E quanto à história do Blues no Brasil?

O Festival de Ribeirão Preto marcou a chegada do Blues no nosso país, em 1989. Com a presença de ícones como Buddy Guy, Junior Wells e Etta James, o público começou a se interessar por um gênero até então pouco conhecido. E, nesse evento, também marcaram presença: Albert Collins, Magic Slim, André Christóvam e Blues Etí­licos.

7. Quem são os maiores nomes do Blues de todos os tempos?

Segundo a Revista Bula, essas são as melhores canções da história do Blues tradicional, com alguns dos maiores artistas:

E, com a licença poética, vamos adicionar mais alguns nomes entre os ícones da história do Blues:

E quem mais você adicionaria entre os grandes nomes do Blues? Conta pra gente nos comentários, ok? Enquanto isso, aproveite para ouvir uma playlist cheia de blue notes

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10 músicas nas vozes supremas da história do Blues

Para conhecer a história do Blues, nada melhor do que ouvir suas vozes supremas, não é mesmo? Pensando nisso, listamos 10 canções icônicas para servir de inspiração. Além disso, fique à vontade para nos contar quais são as blue notes que tocam seu coração.

1. Moonshine Blues

Para começar em grande estilo, vamos à “mãe do Blues”, que se destacou em um gênero dominado por homens. Por sinal, Ma Rainey ajudou a popularizar o gênero nos Estados Unidos na década de 1920, com canções como “Moonshine Blues”.

2. Memphis Blues

Já o “pai do Blues”, W. C. Handy, é reconhecido por revolucionar a música popular nos EUA. Apesar dessa canção ser descrita como um “trapo do Sul” pelo próprio compositor, “Memphis Blues” foi lançada em 1912 e ganhou o mundo com diversas regravações.

3. Strange Fruit

Em um manifesto contra o racismo nos Estados Unidos, Billie Holiday lançou a icônica “Strange Fruit”. Ao brilhar no hall da fama do Grammy, a cantora jogou holofotes em histórias não contadas, como o linchamento de 2 afro-americanos. 

4. The Thrill Is Gone

Se alguma vez você já sentiu que “a emoção se foi”, nós estamos juntos nessa. Não por acaso, cada nota de “The Thrill Is Gone” vale por mil, como já dizia o grande B. B. King. A propósito, as emoções do Blues Boy inspiraram muitos artistas, incluindo John Lennon

5. I’d Rather Go Blind

Com “I’d Rather Go Blind”, Etta James se destacou na parada Billboard Hot 100. Aliás, a própria cantora diz que recebeu parte da letra de seu amigo Ellington Jordan, quando foi visitá-lo na prisão. Depois disso, ela deu continuidade à composição, mas sem esquecer de dar o crédito para ele e para Billy Foster.

6. St. Louis Blues

Agora, chegamos ao espírito determinado da cantora mais popular do Blues entre as décadas 1920 e 1930. Por falar nisso, aproveite para assistir ao filme Bessie, em que a imperatriz é retratada por Queen Latifah.

7. Crossroad Blues

Segundo a revista Rolling Stone, Robert Johnson é o 71º melhor guitarrista do mundo. Já Muddy Waters diz que o amigo é “o mais importante cantor de Blues que já viveu”. Por isso, não poderia faltar uma canção de quem consagrou o “Blues de 12 compassos”.

8. Million Dollar Secret

Antes de fazer sucesso no Jazz, a poderosa voz de Helen Humes já brilhava ao som do Blues. A propósito, as canções “atrevidas” dela chocavam o público com “segredos de um milhão de dólares” envolvendo temas que não eram bem aceitos para o mundo feminino.

9. Mannish Boy

Sabia que a canção “Garoto Másculo” foi regravada por ninguém mais, ninguém menos, que Jimi Hendrix? Isso porque Muddy Waters inspirou grandes nomes da música mundial. Além disso, dizem por aí que “Mannish Boy” é uma resposta à música “I’m a Man” de Bo Diddley. Será? 🤔

10. Hound Dog

Por último, mas não menos importante, chegamos à canção “Hound Dog”, que envolve uma dose de polêmica. Afinal, essa twelve-bar blues é de Big Mama Thornton, mas alguns críticos acusam Elvis Presley de ter “roubado” a música dela.

Bônus: a influência da história do Blues em outros ritmos

Playlist com + de 40 músicas de Blues

E, para continuar no embalo das vozes supremas que foram citadas no artigo, preparamos uma seleção exclusiva! Então, corre pra ouvir a playlist [Blues] #5 Artcetera no Spotify!

Agora que chegamos ao final do post, conta pra gente: o que você achou da emocionante história do Blues? Nós, da Artcetera, temos que confessar que é bem difícil acreditar que “the thrill is gone”… 

Em todo caso, “let’s sing our Blues”, hoje e sempre! 🖤

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