Conheça mulheres que fizeram história no Rock com bandas femininas: Fanny, Runaways, Ozone, L7, Las Brujas, Kittie, Girlschool e + [LISTA]

Pare tudo e pense: de quais bandas femininas você realmente se lembra? Já sabemos que, ao longo do tempo, as mulheres tiveram muito menos espaço e voz que os homens. E é claro que isso também inclui a arte. 

Não é por acaso que, em entrevistas dadas por integrantes de grupos formados somente por mulheres, as falas convergem para uma mesma pauta. Isto é, a dificuldade em estar no palco, tocar e ter a visibilidade que os homens tinham.

Jamais dizendo que hoje está tudo bem e que isso passou, principalmente dentro de estilos mais específicos, como Metal, Punk e Rap. Em geral, eles são vistos como “não femininos”, agressivos ou subversivos (subversivos para quem?). Assim, as mulheres enfrentaram e continuam enfrentando dificuldades. 

Em especial, decidi trazer algumas bandas femininas que são fantásticas, mas infelizmente não atingem ou atingiram nem um pouco da visibilidade que merecem. Por falar nisso, algumas delas até foram esquecidas pelo tempo. 

O foco que dei aqui é mais para o Hard Rock 70 e Metal, isso porque não existiu (ainda) nenhum movimento que trouxesse à tona essas bandas. Diferente do Punk, que tem uma veia muito mais disruptiva, trazendo nos anos 90 a cena feminista Riot Grrrl, por exemplo. Aliás, acho que vale um texto sobre essa cena, aguardem…😈

Agora, vamos à listinha. E, no final, conta pra gente se faltou alguma das bandas de Rock femininas que você curte e ninguém se lembra.

Descubra 15 bandas femininas de Rock internacional

Logo adiante, separei 15 bandas internacionais femininas para que possamos reconhecer o Rock delas. De quebra, temos vários posts no blog falando de artistas mulheres, inclusive as que cantam e tocam guitarra, baixo, teclado, bateria e segue o fio. 

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1. Fanny | EUA

Fanny é uma banda americana dos anos 70, tida como uma das mais importantes do Rock e, ao mesmo tempo, uma das mais desconhecidas. Existem diversas apresentações delas e os discos disponíveis no Youtube. Vale muito a pena conferir se você gosta de Rock 70s. 

Por sinal, o uso do órgão Hammond, que é característico da época, dá um charme único! Os discos são excelentes, já que todas elas eram musicistas de altíssima qualidade. E a banda tocando ao vivo é lindo de ver, energia cabulosa! 

Ah, sabe quem era super fã da Fanny? David Bowie! Ele teceu diversos elogios para as garotas em situações diferentes. Isso sem contar que elas também tinham no seu fã clube ninguém menos que Os Beatles, com quem chegaram a fazer amizade.

2. Birtha | EUA

Outro destaque é a banda Birtha, que foi criada em 1971 na cidade de Los Angeles. Duas de suas fundadoras tinham outra banda no final dos anos 60, chamada Ladybird. Depois, formaram a Birtha, lançaram dois discos maravilhosos e saíram em turnê, mas, infelizmente,  acabaram se separando em 1975. 

Todas as integrantes cantavam na banda, o que traz melodias sensacionais. Assim como a Fanny, foram precursoras nas bandas de Rock formadas por mulheres e pioneiras do Hard Rock nos anos 70. 

A baixista da banda, Rosemary Butler, tornou-se uma das cantoras de apoio mais relevantes das décadas seguintes. A propósito, ela integrou álbuns e shows de Bruce Springsteen, Joe Cocker, Bonnie Raitt, Jackson Browne, Joni Mitchell, Neil Young e James Taylor.

3. Girlschool | Inglaterra

Não tão esquecidas assim, a Girlschool possui muitos fãs até hoje (eu inclusa haha). Acontece que elas não tiveram (e não têm) a mesma visibilidade do The Runaways, por exemplo. 

Digo isso porque ambas as bandas tiveram um grande apoio dos integrantes do Motörhead. Contudo, vale lembrar que a The Runaways também era uma banda feminina esquecida até fazerem um filme sobre elas. E, logo mais, voltaremos a falar sobre isso.

Voltando para a Girlschool, segue aqui o vídeo delas tocando junto com o Motörhead:

Além de produzir um som de extrema qualidade nos discos, é fácil encontrar suas performances no Youtube. Tive o prazer de vê-las ao vivo em 2011 lá em Rio Claro e foi uma noite para guardar no coração, pelo show incrível e, principalmente, por serem humildes e fofas d+. 

4. Rock Goddess | Inglaterra

Formada em 1977 pelas irmãs Julie e Jody Turner, Rock Goddess é uma banda de Heavy Metal que teve seu auge nos anos 80. Elas gravaram três discos ao longo dessa década e retornaram com novo material somente em 2019. 

Foi uma banda importante e influente no movimento conhecido como NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal), conseguindo chegar no UK Charts da época. Para os fãs do tradicional Heavy bem feito, tá aí uma recomendação.

4. Loretta | República Checa

Formada em 1989, a banda de Heavy Metal Loretta tem somente dois discos lançados, um de 1992 e outro de 2017. Além do som excelente, a banda canta em sua língua nativa, não caindo na falsa ideia de que o inglês soa melhor para a música.

5. Mythic | EUA

A Mythic é conhecida por ser a primeira banda inteiramente feminina dentro do Death e Doom Metal. Formado em 1991, o grupo durou pouco e nunca chegou a lançar um disco completo, apenas demos, EPs e uma compilação. Porém, isso foi o suficiente para mostrar a potência cavernosa da banda. 

A vocalista e guitarrista Dana Duffey é ativa até hoje na cena Metal e, ainda, é autora do zine “Denial of Christ”. Se você curte um som das profundezas, indico fortemente conhecer a Mythic.

6. Las Brujas | Argentina

Las Brujas é a primeira banda argentina de Heavy Metal integrada somente por mulheres, sabia? Formada em 1987, elas trazem letras em espanhol, mas, infelizmente, não tocam mais. 

Elas abriram caminho para que outras mulheres dentro do Metal argentino fizessem suas próprias bandas. E a história da banda é contada aqui pela vocalista e guitarrista Graciela Folgueras. 

7. Oral | Inglaterra

Formado em 1984, o grupo Oral possui somente um EP, intitulado “Oral Sex”. Das bandas que aparecem por aqui, essa é uma das que trata mais abertamente sobre a sexualidade. E isso é bem interessante, principalmente porque o assunto gera debate até hoje (e em qualquer estilo musical). 

Ah… e saca só que maneiro: a vocalista Monica Ramone aparece brevemente no clipe “Two Minutes to Midnight” do Iron Maiden. 

8. Ice Age | Suécia

Coloquei a primeira demo delas, pois é nessa fase que elas eram uma banda totalmente integrada por mulheres. O Ice Age existe até hoje, porém, agora tocam com um baterista homem. 

Aliás, algumas das bandas aqui acabaram passando por formações que não eram totalmente de mulheres. Entretanto, a ideia é trazer bandas que tenham em sua formação original essa característica, tá? hahaha

Voltando ao Ice Age, essa demo, apesar de ser somente uma demo, é de uma qualidade ótima e elas fazem um som animal! Thrash Metal com riffs insanos, do jeito que a moçada gosta. Enfim, elas só tiveram demos de 87 a 89 e o único disco da banda só foi lançado em 2017.

9. Phantom Blue | EUA

Essa é uma banda que impressiona por dois fatores: 

  1. a capa não condiz com o som. Quando ouvi a primeira vez, tive certeza de que era algo próximo do Hard Rock Glam dos anos 80, mas não é nada disso;
  2. como uma banda com essa qualidade não ficou famosa?

Pois é, nem tudo nesse mundo é justo. O grupo iniciou em 1987 e encerrou as atividades em 1998. Com três discos lançados, as garotas fizeram um Heavy Metal de altíssima qualidade, que deixa muita banda da época no chinelo. 

Após a separação, elas tomaram rumos diferentes, todos envolvendo o Metal. Inclusive, três delas foram para um tributo feminino de Iron Maiden, chamado The Iron Maidens. É realmente triste saber que elas tinham tudo para ter um sucesso grande e acabaram fazendo cover de outra banda.

10. Meanstreak | EUA

Meanstreak era uma banda americana fundada em 1985 e tem tudo que faz alguém se interessar pelo Thrash Metal dessa época. O som é envolvente, os vocais ríspidos combinam muito com a proposta e, novamente, não faz sentido uma banda dessa não ter a visibilidade das outras. 

É uma banda que muitos dizem lembrar o Overkill dos anos 80. Porém, foi essa que se tornou uma das maiores referências do estilo, já que as meninas do Meanstreak ficaram no esquecimento e encerraram a banda em 1994. Meu deus, que ódio! 🤡

11. Burning Witches | Suíça

Formada em 2015, Burning Witches tem uma mistura ideal entre o Heavy Metal tradicional e o Power Metal. Elas costumam ser comparadas com o Judas Priest, uma vez que o timbre de voz da vocalista lembra mesmo o do lendário Rob Halford.

Mesmo sendo uma banda “recente”, elas possuem trabalhos sólidos. Tocam muito, trazem riffs enérgicos e aquela velocidade que agrada qualquer fã do estilo. 

12. Konvent | Dinamarca

Também formada em 2015, a banda Konvent faz a ponte ideal entre o Death e o Doom Metal – e é simplesmente sensacional. Elas têm ganhado uma certa força dos fãs lá fora, inclusive lançaram o segundo disco nesse ano de 2022. 

Vale a pena conferir o que elas estão produzindo e, quem sabe, as garotas não dão as caras no Brasil em breve, né?

13. The Runaways | EUA

Essa é uma das bandas femininas que estava esquecida até o Cinema reavivar a chama dos fãs. A The Runaways é de Los Angeles e esteve na ativa entre 1975 e 1979, o que também as torna precursoras quando o assunto são bandas de Rock formadas somente por mulheres. 

Uma coisa interessante da banda, além dos discos próprios, são as outras bandas e carreiras solos das integrantes. Algumas delas fizeram mais sucesso que o próprio The Runaways. Lita Ford e Joan Jett, por exemplo, tiveram uma projeção maior nos Estados Unidos do que quando estavam na banda. 

Ah, pode não parecer, mas para a época o som delas era considerado pesado e provocativo. A atitude no palco e a energia que elas transmitiam também tinha muito do Punk antes do auge do movimento.

14. L7 | EUA

Muito provavelmente você conhece esse som do L7, né? Pois é, a banda fez muito sucesso nos anos 90, mas acabaram sendo esquecidas nos anos 2000, quando se separaram. Formada em 1985 por Suzi Gardner e Donita Sparks, elas tocavam um Grunge bem característico da época, com um mix de Hard Rock 

Para alegria dos fãs, a L7 voltou a tocar em 2014, fazendo vários shows (alguns possíveis de ver no Youtube) pela Europa e América do Norte. Esse retorno veio acompanhado do documentário  “L7: Pretend We’re Dead”, dirigido por Sarah Price. Lançado em 2016, o doc conta a trajetória do grupo até sua volta.

15. Kittie | Canadá

Finalizando a parte das bandas femininas internacionais, chegamos às canadenses da Kittie. Não é meu tipo de som, mas reconheço que elas têm uma importância para os fãs de New Metal. Inclusive, elas abriram os shows do Slipknot em Londres, isso lá no início dos anos 2000. 

Formada pelas irmãs Morgan e Mercedes Lander, a banda nasceu em 1996 e se mantém na atividade até hoje. Porém, seu último disco é de 2011 e não há previsão para novos lançamentos. 

Conheça 5 bandas de mulheres no Rock brasileiro

Finalmente, chegamos às bandas femininas da cena nacional, com formações exclusivas de mulheres. E, no futuro, faremos outros posts para falar sobre as rockeiras nacionais, como Rita Lee, Nora Ney, Lucinha Turnbull e tantas outras.

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O Brasil é mundialmente conhecido pela produção dentro do Metal, sobretudo do Metal Extremo. Mas, diferente de Sepultura, Sarcófago, Dorsal Atlântica e outras que chegaram nos ouvidos do mundo inteiro, as bandas femininas não chegaram nem nos ouvidos da nossa terrinha. Então, bora conhecer algumas delas!

1. Ozone | São Paulo | SP

Uma das primeiras bandas femininas de Metal, a Ozone começou em 1985 e se separou em 1994. Formada em São Paulo, o grupo tinha forte influência do Hard Rock Glam, principalmente no visual, mas não se limitava a isso. 

Ouvindo dá pra sacar que elas tinham uma proposta que conversava bem com o Heavy, né? Os vocais são poderosos e elas tocavam com muita energia.

2. Placenta | Belo Horizonte | MG

É de gravação tosqueira que elas gostam mais ❤️ hahaha. A Placenta foi uma banda de brevíssima duração, de 1985 a 1987 somente. Faziam um Thrash Metal bem característico da época e lugar, lembrando que a cena Metal de Minas Gerais foi uma das mais importantes do Brasil. 

Infelizmente, a gravação é bem ruim, tornando tudo parecido com uma massa sonora caótica. Entretanto, isso atrai muita gente até hoje e serve para dar entender o ABISMO que existia (e existe) entre as qualidades de som disponíveis no Brasil e nos países “desenvolvidos” 🙄. 

E por “qualidade” me refiro a tudo que envolve a produção de um som, tanto para quem é músico, quanto para o público.

3. Purulence | Botucatu | SP

Em menos de 7 minutos você consegue apreciar toda a discografia da banda Purulence, valendo! hahaha! Pois é, essa banda de Death/Grindcore é muito brutal e só tem um registro, sendo que encontramos pouquíssimas informações sobre elas.

Dá pra saber que começaram em 1992 e separaram sabe-se lá quando. Quem tiver mais infos, ajuda nós! Mesmo com poucas referências sobre elas, a banda é uma excelente pedida para quem gosta de som rápido e agressivo.

4. Volkana | Brasília | DF

Formada em 1987, a banda Volkana é uma das primeiras a ser citada quando o assunto é Metal feito por mulheres aqui no Brasil. Indo na linha do Thrash Metal, as garotas encerraram suas atividades em 1996, retornando em 2017. 

Nesse novo período, ainda não lançaram nenhum disco. Por outro lado, elas têm dois discos já lançados nos anos 90 e uma demo muuuuuito foda chamada “Trash Flowers”, de 1989.

5. Flammea | Brasília e São Paulo | DF e SP

Coloquei duas localizações porque a banda teve mudanças ao longo dos tempos, já explico. Com início em 1988 lá em Brasília, o Flammea lançou duas demos. Já em 1992, a baterista Ana Lima se mudou para São Paulo e reformulou a banda, que está em atividade até hoje.

Infelizmente, essa é outra banda que sobreviveu de demos e compilações, não chegando (ainda) a lançar um disco completo. 

Acho que já deu pra conhecer (e relembrar) algumas bandas femininas com essa lista. Agora, conta pra gente se faltou alguma, ok? Aqui na Artcetera, aceitamos e adoramos indicações!

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