Conheça 5 pioneiras da Dança Moderna (pré-modernas e modernas): Isadora Duncan, Ruth Saint Denis, Martha Graham, Doris Humphrey e Mary Wigman

Já parou pra pensar em quem foi considerada a mãe da Dança Moderna? E mais: sabia que, até o fim do século XIX, as mulheres eram apenas intérpretes da Dança? Raramente, elas podiam compor coreografias. 

Pois é, no texto dos maiores Balés de Repertório, você vai reparar que os nomes dos coreógrafos são masculinos. Algo precisava ser feito e as mulheres sabiam disso. Afinal, muitas não aguentavam mais o papo de Dança Clássica e como isso era limitante para o corpo. 

Por isso, hoje vim te contar como as mulheres mudaram o rumo da história da Dança Moderna no ocidente. E, claro, porque isso é tão poderoso. Segue o fio!

O que é Dança Moderna? E quando surgiu a Modern Dance?

Criada no início do século XX, a Dança Moderna veio junto com muitas rupturas artísticas do período. Realmente, o mundo estava mudando. Revoluções acontecendo, guerras e instabilidade criaram crises reais que impulsionaram diversos movimentos dentro da arte a buscar rompimento com o que já havia sido criado. 

Na Dança não foi diferente e, assim, surgiu uma técnica nova, que buscava outras referências corporais. Diferentemente do Ballet Clássico, as características da Dança Moderna propiciam mais liberdade e, principalmente, trazem à tona a intensidade dos sentimentos. 

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Descubra quem são as 5 matriarcas da Dança Moderna

Antes de falar das matriarcas criadoras dessa técnica, vamos fazer um breve parêntese. Isso porque é preciso falar de quem veio um pouquinho antes e influenciou geral para que rolasse esse movimento dentro da arte. 

As 2 dançarinas Pré-Modernas

Poderíamos falar de diversos nomes aqui. Contudo, como estamos tratando das mulheres que tornaram possível essa revolução, escolhi 2 bem importantes, saca só:

1. Isadora Duncan

Antes de mais nada, vale lembrar que não existem muitos vídeos das performances dela. Mas, nesse aqui acima, dá pra ter uma ideia, mais ou menos, de como era sua Dança: algo bem livre, leve y solto.

Nascida nos Estados Unidos, Isadora Duncan foi uma rebelde incontestável, que viveu sempre questionando os códigos artísticos e as convenções sociais. Podemos dizer que ela não trouxe uma técnica nova, mas sim uma nova maneira de pensar a Dança e a vida em si. 

Ela inspirava sua Dança na natureza, buscando espontaneidade. Porém, quando foi rejeitada no seu país, partiu para a Europa, onde dava aula para meninas órfãs e carentes. Por falar nisso, ela chegou a adotar 5 delas como suas filhas legítimas.  

Outra coisa muito bacana que ela trouxe foi a rejeição das sapatilhas e collants típicos das aulas de Dança. Na real, ela curtia mesmo os pés descalços e vestidos soltos. Aliás, recomendo muito a biografia dela (Minha Vida – Isadora Duncan), que é bem linda, apesar da tragédia geral que foi a sua história.

2. Ruth Saint Denis

Também nascida nos Estados Unidos, Ruth Saint Denis é dona de alguns dos looks mais incríveis da história da Dança. Sua influência é gigante, pois foi a criadora, diretora e coreógrafa da primeira escola de Modern Dance nos EUA, juntamente com seu marido – o também bailarino – Ted Shawn. 

Ruth era atriz de variedades e via a Dança como uma religião. Trouxe conceitos orientais para a Dança do ocidente, tanto em suas coreografias, quanto nas aulas que propunha. A realidade é que era meio bagunça: aula de ioga, kabuki, encantamento de serpentes (?), artes marciais, enfim, de tudo um pouco.

Embora tenha feito sucesso nos Estados Unidos, suas performances não pegaram bem lá no oriente. Sua companhia foi motivo de riso em diversos países, pois achavam tudo aquilo bem caricato. Afinal, eles não eram orientais, mas sim pessoas imitando uma forma, né? 

Em todo caso, a companhia dela e de seu marido (Denishawn School) foi muito importante. E, inclusive, essa escola formou 2 das 3 bailarinas que falaremos a seguir. Sendo assim, continue conosco para conferir!

As 3 matriarcas da Dança Moderna

Conhecidas como parte da primeira geração da Dança Moderna, aqui a técnica começa a tomar forma real. Isto é, vai deixando de ser uma ideia abstrata de quebra e ruptura para ter seus códigos próprios, buscando novas referências para expressar sentimentos cada vez mais complexos. Let’s ver:

1. Martha Graham

Filha de um médico influente, a família de Martha Graham achou péssimo ela querer ser bailarina. Esperou o pai morrer para entrar na Denishawn School e, lá dentro, cresceu super rápido. 

Assim como cresceu, logo não queria mais saber desse negócio de ritual, deuses indianos e papo místico. O que ela queria mesmo era o fogo no parquinho ao abordar os problemas de seu tempo.

Abandonou a companhia, começou a dar aulas e, assim, foi criando sua própria técnica, que é inovadora em diversos sentidos. A propósito, vou tentar resumir aqui:

  • plexo solar (tronco) como fonte expressiva do movimento, indo contra a predileção das pernas, comum no balé;
  • inova tudo colocando geral pra fazer aula sentado no chão;
  • deixa os alunos longe dos espelhos, para incentivar uma consciência corporal que não seja dependente dos olhos;
  • contração e relaxamento: fundamento básico de sua técnica. E o melhor: ela ensinou essa até para ninguém menos que MADONNA, isso mesmo, a própria rainha do Pop!

A companhia e a escola de Graham existem até hoje nos EUA. Em especial, sua importância está na tentativa incessante de tentar expressar a condição das mulheres em suas coreografias.

2. Doris Humphrey

Também aluna da Denishawn School, acabou saindo da companhia pelos mesmos motivos de Graham. Simplesmente #cansadah de ser jovem mística e pronta pra seguir seu rumo. 

Durante a vida, acabou coreografando mais do que dançando. E não tinha essa preocupação (muito comum no mundo da Dança) em ser a solista absoluta. 

Sua pesquisa corporal tinha como princípio básico 2 opostos: queda e recuperação. Se interessava pelo uso do espaço e como o corpo achava caminhos para cair e para se restabelecer. Nada mais importante do que saber cair para aprender a ficar de pé, não é mesmo?

3. Mary Wigman

O Expressionismo foi um movimento de arte muito importante no período entre guerras. Nele, a produção febril dos artistas visava relatar as realidades sociais e os horrores de seu tempo. Não foi diferente para a alemã Mary Wigman, que, além de expressionista na Dança, era amiga dos outros artistas expressionistas. #chic 

Trazendo temas mórbidos, cores escuras e máscaras assustadoras, tenho que admitir que Mary Wigman é minha favorita das criadoras modernas pelo seu caráter de luta. E essa luta se deu, principalmente, na sua técnica, que tinha como princípio lutar contra o espaço opressor por meio de movimentos tensos e agressivos.

Uma de suas maiores contribuições, que foi retomada pelos Pós-Modernos muito anos depois, é o fato de rejeitar a sujeição da Dança à Música. Da mesma maneira, ela rejeita qualquer passo e técnica preexistente, inclusive se negou a “contar uma história” com sua Dança. Ou seja, não fazia uso de narrativa. Sabe onde é que ela tava? Ela tava nem aí.

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Da história à evolução da Dança Moderna

Essas evoluções podem parecer pouca coisa, mas, pensa aqui comigo: a Dança no ocidente até o final do século XIX era basicamente o Ballet Clássico. Aquelas sapatilhas de ponta, fadas e princesas. Nada disso correspondia mais com a realidade, apesar de que, até hoje, é comum associar à Dança Clássica quando pensamos em Dança, certo?

Então, achei legal trazer outras referências para juntar no nosso repertório e saber quem foram essas mulheres incríveis. No fim das contas, elas revolucionaram a arte, a dança e a maneira de se expressar com o corpo. 

Boa parte das técnicas que conhecemos hoje são super influenciadas por elas. Por sinal, a Dança Contemporânea e o Jazz são exemplos disso. Mas e aí, você já conhecia a história dessas #anjas #perfeitas? E qual delas é a sua preferida? Futuramente, podemos até fazer um artigo sobre cada uma delas aqui no blog Artcetera, que tal?

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