Veja as maiores polêmicas do Oscar (indo além do tapa de Will Smith em Chris Rock), com: Marlon Brando, Frank Lloyd, Frank Capra e + [LISTA]

Bom, acho que todo mundo está por dentro de qual foi a polêmica na última premiação do Oscar, né? Para quem estava de férias no fundo do mar: o ator Will Smith deu um tapão no comediante Chris Rock. E, indo além disso, que tal conhecer as 5 maiores polêmicas do Oscar

Lógico que o acontecimento entre Will e Chris dividiu a internet e gerou muitos debates e discussões. Porém, a verdade é que isso tem várias camadas, tornando muito difícil chegar a uma conclusão binária de “certo” ou “errado”. 

Por isso o debate é muito legal (mesmo que cansativo às vezes. Tô olhando pra você, Twitter). Enfim, o importante é estar aberto a ouvir e respeitar o que a comunidade negra e todas as pessoas que têm alguma condição que afeta sua aparência estão dizendo.

Mas, no post de hoje, não vamos falar exatamente sobre isso, até porque é algo que ainda está acontecendo. Por exemplo, enquanto eu escrevia este parágrafo, o Will Smith anunciou que vai deixar a Academia

Então, quero falar sobre as 5 maiores polêmicas do Oscar para além de Will Smith versus Chris Rock. Afinal de contas, um evento que acontece há mais de 90 anos não ia deixar de ter várias tretas e confusões, não é? Vamos lá!

Top 5: fique por dentro das maiores polêmicas do Oscar 

A seguir, listamos as 5 maiores polêmicas do Oscar para mostrar que isso já acontecia muito antes da premiação de 2022: 

1. Frank Lloyd x Frank Capra

Lembra que, em 2017, rolou uma confusão entre os filmes Moonlight e La La Land? E se eu falar que essa não foi a primeira vez?

Em 1934 – sim, faz muito tempo – Frank Lloyd e Frank Capra estavam entre os indicados para Melhor Direção, por “Cavalcade” e “Dama Por Um Dia”, respectivamente. Quando o apresentador, Will Rogers, foi anunciar o vencedor, ele disse apenas “Frank” e o apresentou como “jovem diretor”.

Os 2 Franks ficaram confusos e Frank Capra, que era o mais jovem dos dois, acabou se levantando. Contudo, ao chegar no púlpito, eles viram que, na verdade, o prêmio era do outro Frank.

Frank Capra disse que foi a caminhada mais triste, longa e devastadora de sua vida. Admito que fiquei com dó… 🙁

2. Quando roubaram o Oscar

Imagina você se levantar, ir ao palco da premiação, pegar uma estatueta e depois vazar? Foi bem isso que fizeram em 1938: literalmente roubaram uma das estatuetas na frente de todos. 

Na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, a Alice Brady ganhou o prêmio pelo filme “No Velho Chicago”. Entretanto, ela não pôde ir à premiação pois tinha fraturado o tornozelo… (que nem eu agora, só falta o meu Oscar).

Então, depois que anunciaram sua vitória, um cara simplesmente se levantou, foi ao palco, agradeceu em nome dela e vazou. E o mais bizarro é que, até hoje, ninguém sabe quem era esse maluco! Tiveram que fazer uma nova estatueta para entregar à atriz.

3. Marlon Brando e Sacheen Littlefeather

Agora que já falei dos casos mais engraçadinhos, vamos para os mais pesados entre as maiores polêmicas do Oscar. Já falamos um pouco sobre esse caso no nosso Instagram, segue lá para não perder nossas dicas, curiosidades e novidades!

Vou fazer um resumão do que aconteceu. Marlon Brando além de ser um ator sensacional, era um grande ativista dos direitos civis e crítico da forma como Hollywood estereotipa as etnias. Algo que, infelizmente, até hoje é super comum.

Em 1973, ele foi indicado e venceu o prêmio de Melhor Ator por sua atuação no longa “O Poderoso Chefão”. Por outro lado, ele optou por não ir à cerimônia e convidou a atriz nativo-americana Sacheen Littlefeather para discursar em seu lugar. (Aliás, homens brancos lendo isso, aprendam com Marlon Brando como respeitar o local de fala, ok?)

A atriz, muito corajosa, enfrentou as vaias e fez um discurso maravilhoso. Na ocasião, ela denunciou como o cinema estava reproduzindo e incentivando aspectos racistas da cultura americana contra minorias, principalmente contra os povos nativos. Na época, os filmes do gênero Western estavam em alta.

Por sinal, veja um trecho da fala da ativista, em nome de Marlon Brando:

“Ele, muito infelizmente, não pode aceitar esse generoso prêmio. E a razão disso é o tratamento dos indígenas americanos de hoje pela indústria cinematográfica e na televisão, em reprises de filmes e também pelos recentes acontecimentos em Wounded Knee”.

O protesto não saiu barato. John Wayne, um dos grandes astros do cinema americano, precisou ser contido por seguranças pois queria retirar a atriz do palco à força. Um grande babaca, não é mesmo? Além disso, Sacheen foi deixada de lado pela Academia e a indústria e, depois disso, nunca conseguiu outro papel. E vocês falando que o tapa foi o pior momento do Oscar!!!

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4. Nem sempre o melhor ganha

Quando um filme é nomeado para o Oscar, isso pode fazer com que ele tenha um lucro muito maior de bilheteria. Por exemplo, “O Discurso do Rei” (2010) tinha uma previsão de trazer 30 milhões de dólares de bilheteria. E, após ser anunciado como indicado ao Oscar (e vencer), ele acabou trazendo 400 milhões de dólares, bom né? Esse é o poder do marketing do Oscar.

O primeiro filme a usar essa estratégia foi “O Franco Atirador” (1978). O estúdio tinha certeza que iria flopar nos cinemas, por conta do tom mais depressivo do filme. Então, aproveitaram que o longa-metragem ganhou o Oscar de Melhor Filme para fazer com que fosse um sucesso de bilheteria.

Por falar nisso, reparem no topo do cartaz com o anúncio relacionado à premiação:

maiores polêmicas do Oscar - Franco Atirador

Campanhas de marketing focadas no Oscar

Você deve estar pensando “tá, mas qual é o problema de usar a indicação ao Oscar no marketing? Foi por mérito deles, não?”

Ai que tá: existem as campanhas “for your consideration”, que nada mais são do que uma estratégia de marketing bem agressiva (e cara) focada nos críticos do Oscar. Nesse ponto, o objetivo é que eles escolham determinados filmes.

Isso é possível porque os estúdios sabem quem são as pessoas que escolhem os indicados e vencedores. Então, eles fazem campanhas personalizadas (quase um suborno) para essas pessoas que votam na premiação. 

Ou seja, enviam presentes como iPads e até convidam para festas particulares, de modo que conheçam as celebridades que participaram dos filmes. E, para ganhar um Oscar, um estúdio deve gastar, em média, 10 milhões de dólares, conforme o New York Times. Baratinho, né? 

Segundo Pete Hammond, colunista na Deadline Hollywood Awards, uma indicação pode fazer com que o filme lucre, pelo menos, 20 milhões a mais. Em outras palavras, isso salva o estúdio de títulos que não estão fazendo sucesso com o público.

Ainda com base nos dados da própria Deadline, foi assim que, em 2014, a Netflix conseguiu garantir 3 Emmys! Isto é, com uma campanha de marketing caríssima voltada para a comissão.

Lembrando que gastar todo esse dinheiro não garante a vitória, mas, vamos ser francos, ajuda um bocado. Nesse sentido, os dados da Insider mostram que, até 2019, 81% dos vencedores do Oscar eram produções de grandes estúdios. Vamos combinar que isso não é lá muito justo.

O Brasil no Oscar

Agora fica um pouco mais claro porque Fernanda Montenegro, em “Central do Brasil”, não teve chance na categoria de Melhor Atriz. Na oportunidade, ela concorreu contra Gwyneth Paltrow, de “Shakespeare Apaixonado”, que até venceu o favorito “Resgate do Soldado Ryan” em Melhor Filme.

Fórmula dos filmes preferidos pela Academia

Além de tudo isso, existe uma fórmula específica relacionada aos filmes que a Academia prefere. Por exemplo, se você quiser que seu filme tenha a maior chance possível de vencer, é só seguir a regrinha:

  • Ter mais de 100 minutos: até 2019, apenas 3 obras que levaram o prêmio de Melhor Filme tinham menos de 100 minutos de duração. Nesse período, 76% dos vencedores tinham mais de 2 horas. Para a Insider, a explicação é que usam a regra da duração para escolher os filmes mais “importantes”, já que os mais longos tendem a ter histórias mais complexas. Ridículo, não?
  • Ser um drama: pois é, 93% dos vencedores de Melhor Filme são do gênero de drama (isso vale para as categorias de Melhor Atriz e Ator, viu?). A Academia odeia terror, ficção científica e comédia, sendo que a última comédia que venceu foi em 1944. Aliás, você sabia que “Psicose” e “2001 – Uma Odisseia no Espaço” nem chegaram a ser indicados? 
  • Ser baseado em uma história real, um filme épico ou, ainda, uma biografia: desde 1980, 89% dos vencedores de Melhor Filme estão em, pelo menos, 1 dessas categorias.
  • Não ser odiado: filmes que performam bem tanto com os críticos, quanto com o público, acabam sendo escolhidos. Isso quer dizer que as produções que tentam algo novo ou colocam o dedo na ferida da sociedade não têm chance de ganhar.

Retorno financeiro com o Oscar

É justamente pela questão das finanças que os maiores estúdios gostam de seguir essa fórmula. Assim, eles garantem que seus filmes sejam sempre indicados e tenham um retorno financeiro maior. 

De quebra, já repararam que são sempre as mesmas pessoas que levam esses prêmios? Até os títulos vencedores de Melhor Filme estão cada vez mais parecidos (com exceção de “Parasita”, lógico).

Até vou aproveitar a polêmica atual para provar meu ponto. Will Smith levou o Oscar de Melhor Ator no filme “King Richard”, que cumpre com os seguintes elementos:

Acho que deu pra sacar a ideia, né??

5. Racismo: uma das maiores polêmicas do Oscar

Muitas vezes referida como “a polêmica do Oscar das pessoas negras”, agora vamos falar sobre a representatividade. A primeira noite de premiação aconteceu em 1929, uma época em que a população negra sofria demais com racismo no mundo inteiro. 

Lembrando que fazia apenas 41 anos do fim da escravidão no Brasil, loucura né? Ou seja, é a mesma diferença de tempo entre o dia em que o artigo está sendo escrito e o lançamento do primeiro álbum do Metallica, em 1983.

Nos EUA, não era muito diferente: existia a segregação racial, linchamentos, desigualdade racial e por assim vai. Será que o Oscar ajudou a quebrar os paradigmas da época? Pois é, nem tanto.

Segundo o Washington Post, a premiação falha bastante em reconhecer o trabalho dos artistas negros nas edições. Em 1988, Eddie Murphy foi convidado para apresentar o prêmio de Melhor Filme. Em seu discurso (incrível), ele revelou que inicialmente tinha recusado participar, mas depois mudou de ideia. Segue o discurso:

Para facilitar, vou traduzir aqui:

“Falei ‘eu não vou (para o Oscar) porque eles não reconhecem pessoas negras nos filmes’. Ele (o agente) respondeu ‘do que você está falando? Pessoas negras ganham Oscars’! Então, retruquei: ‘Bom, atores negros ganharam os Oscars nos útlimos 60 anos. Hattie McDaniel ganhou o primeiro (1940). Depois, Sidney Poitier conseguiu um (1964). E, por último, Louis Gossett (1983)’. E continuou: ‘eu, provavelmente, nunca vou ganhar um Oscar por ter falado isso, mas, na verdade, pode ser que não dê em nada porque no ritmo que está – um Oscar a cada 20 anos – a próxima chance vai ser em 2004. Portanto, até lá, já vão ter esquecido’.”

Primeira mulher negra a conquistar o Oscar de Melhor Atriz

Apenas em 2002 (sim, meu povo… 2002) uma mulher negra ganharia o Oscar de Melhor Atriz: Halle Berry por “A Última Ceia”. Em seu discurso, ela agradeceu as atrizes negras que, com muita luta, tornaram possível esse momento.

Em 2016, tivemos o #OscarsSoWhite, já que, mais uma vez, nenhum ator negro estava concorrendo ao Oscar. Isso não era novidade, pois, até então, o mesmo aconteceu em 71 das 88 edições.

Quem estava no meio da confusão? Ele mesmo, Chris Rock. O comediante foi muito criticado por não boicotar a premiação, visto que tinha sido convidado para fazer a abertura. Mas, mesmo assim, decidiu ir e, para a surpresa de muitos, fez um discurso criticando a Academia e a indústria cinematográfica.

Ainda segundo o Washington Post, atores negros são sim indicados, mas sempre por papéis esteriotipados: escravizados, mordomos e criminosos. Lembra de Denzel Washington em “Dia de Treinamento”? Ou Morgan Freeman em “Conduzindo Miss Daisy”?

Vale conferir a crítica do Public Enemy,  grupo de Hip Hop, em relação a Hollywood:

E aí, gostou de conhecer as nuances sobre as maiores polêmicas do Oscar? Se tiver mais algum fato interessante sobre a premiação, é só comentar aqui no fim do post, ok?

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O que a Academia está fazendo para superar as maiores polêmicas do Oscar?

No artigo que fala tudo sobre o Oscar, abordamos as críticas de “mercantilismo, parcialidade e falta de diversidade”. E, para superar as maiores polêmicas do Oscar, uma das medidas da Academia foi incluir membros de outros países (além dos Estados Unidos) na votação.

Em paralelo, a premiação adotou uma série de regras para finalmente trazer mais representatividade. Por exemplo, explicamos no post do Oscar de Melhor Fotografia que nenhuma mulher ganhou este prêmio até hoje, sabia disso?

Nessa linha, confira um trecho da matéria da Superinteressante sobre as novas regras de inclusão:

“Todas essas diretrizes envolvem grupos sub-representados, como mulheres, LGBTQIAP+, pessoas com deficiências cognitivas ou físicas e grupos étnicos (asiáticos, latino-americanos, negros, indígenas, havaianos, pessoas do Oriente Médio, norte da África, entre outros). 

Bom, é isso! Acabou ficando um texto pesado e, acreditem, ainda existem muitas outras polêmicas que envolvem o Oscar. Se vocês gostarem, até posso fazer uma parte 2 desse texto, que tal?

Para saber mais sobre o mundo do cinema, é só continuar aqui no site Artcetera! E boas leituras 🙂

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